2-Índios


Representantes de 10 etnias do Maranhão e Amazonas participam de reunião na Funai



A presidenta da Funai, Marta Maria Azevedo, recebeu nesta terça-feira (6), em Brasília, 200 representantes de 10 etnias dos estados do Maranhão e Amazonas. A audiência foi solicitada pelos indígenas para discutir a situação vivenciada pelos povos e comunidades nos dois estados. Também participaram da reunião, o diretor de Proteção Territorial (DPT), Aluisio Ladeira Azanha, e assessores da presidência da Funai.
Representantes de cada etnia apresentaram as dificuldades vivenciadas nas suas regiões, tais como a invasão das terras indígenas por madeireiros, grileiros, caçadores e pescadores para exploração dos recursos naturais e a forte presença de não indígenas, morando em áreas já demarcadas. As lideranças reforçaram a solicitação de suas comunidades por medidas de demarcação, fiscalização e extrusão das terras indígenas.
Aluisio Azanha reafirmou o compromisso que a Funai tem assumido com os povos indígenas do Maranhão, no sentido de fortalecer a gestão territorial e ambiental das terras indígenas e promover a continuidade das demarcações no estado, mesmo diante do cenário político adverso. Segundo ele, a Funai tem investido, nos últimos anos, em políticas de fiscalização a fim de garantir a posse plena das terras aos indígenas. No entanto, analisou que somente ações repressivas por parte do Estado brasileiro tem se mostrando insuficientes para reverter e enfrentar a problemática de invasões e atividades ilícitas nas terras indígenas, considerando a especificidade do contexto do estado do Maranhão.
O diretor exemplificou que, na TI Alto Turiaçu (MA), está em execução uma experiência de gestão do território, a partir de ações de vigilância e monitoramento, que articulam aspectos ligados ao etnodesenvolvimento, gestão ambiental e promoção social. A experiência conta com a participação efetiva dos povos indígenas e da Coordenação Regional da Funai em Imperatriz e, constatados os resultados positivos, deverá ser multiplicada às demais terras indígenas do estado.
Já a presidenta da Funai afirmou que o Maranhão é um estado prioritário para a gestão devido às dificuldades enfrentadas pelos povos indígenas. “O Maranhão foi o primeiro lugar que visitei ao assumir a Funai. Pude presenciar no local a exploração ilegal de madeira, e por isso mesmo, a proposta tem sido fazer projetos de desenvolvimento sustentável nas terras indígenas aliados ao monitoramento territorial com participação efetiva das comunidades”, afirmou.
Os indígenas ainda reivindicaram a revogação da Portaria 303/AGU e a instalação, pela Funai, do Comitê Gestor da Coordenação Regional em Imperatriz (MA). “Apenas com a instalação do Comitê vamos poder garantir a participação de todos os povos indígenas na gestão da Funai na nossa região”, disse a representante do Conselho de Articulação dos Povos Indígenas do Maranhão (Coapima).
Outra reivindicação dos indígenas foi a estruturação das Coordenações Técnicas Locais (CTLs) da Funai. Sobre o assunto, a presidenta afirmou estar em diálogo com o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG) para aprovação de um plano de investimento Fonte: Funai                                                                                                                            Funai confirma morte de índio munduruku


A morte de um índio da etnia Munduruku, ocorrida quarta-feira (7), durante confronto com a Polícia Federal, foi confirmada ontem (9) pela Fundação Nacional do Índio (Funai). O corpo foi localizado às margens do Rio Teles, na Terra Indígena Kayabi, na divisa dos estados de Mato Grosso e do Pará.
Em nota, a Funai informou que, “durante a operação, houve confronto, que resultou em policiais e indígenas feridos” e que um indígena morreu. De acordo com a Funai, alguns indígenas prestaram depoimento às autoridades policiais, no município de Sinop (MT), e voltaram para a aldeia.
A assessoria da Polícia Federal na região disse que tomou conhecimento da morte de Adenilson Kirixi Mundukuru, mas ressaltou que aguarda a necropsia para saber a causa do óbito. A Funai informou que está acompanhando a situação e que também aguarda a investigação sobre a causa da morte pelos órgãos competentes.
A denúncia partiu dos próprios indígenas, que acusaram a Polícia Federal de ter matado Adenilson. Ele desapareceu durante confronto entre índios Mundukuru e agentes da Polícia Federal, no início da manhã de quarta-feira. O conflito foi durante a Operação Eldorado, voltada para a repressão do garimpo ilegal na região.
De acordo com os índios, a Polícia Federal chegou ao local por volta das 8h, usando helicópteros e fortemente armada. O barulho das máquinas teria assustado a comunidade, que lançou flechas em defesa da aldeia. Os agentes, então, revidaram com tiros e armas de efeito moral.
Cinquenta e uma organizações lançaram, quinta-feira (8) nota em defesa dos índios munduruku e repudiando o ocorrido. “Exigimos que os fatos sejam apurados e os culpados pelos ataques e assassinato do índio munduruku sejam criminalmente penalizados.” A nota das organizações critica também o projeto do governo federal para a região, considerando-o um “projeto de destruição da floresta, dos rios e da vida na Amazônia”.
Fonte: Agência Brasil  - EBC
Edição: Nádia Franco
*********************************************************************
INDÍOS RIBEIRINHOS DO AMAZONAS TÊM A MAIOR MORTALIDADE INFANTIL DO PAÍS.
Município remoto do Amazonas tem salto na mortalidade infantil indice de região com maioria indígena é 5 vezes maior que o nacional. Falta de motores para barcos da Funasa dificultam atendimento. Do Globo Amazônia, com informações do Jornal Nacional 21 set 2009 Quem viaja a São Gabriel da Cachoeira, no noroeste do Amazonas, encontra um Brasil com cara de índio. Do prefeito ao soldado, do padre ao peão, todos são indígenas, muitos deles já aculturados, com roupas e computador, mas em absoluto abandono. Nem programas sociais mais abrangentes, como o Bolsa Família e o Luz para Todos, chegam ali. “Já levamos na brincadeira. Chamamos de Luz para Alguns”, brinca o diretor de escola Protázio Castro. São Gabriel da Cachoeira é um município gigante, maior do que Portugal. No mapa, parece um cão de perfil. Por isso, esse pedaço do país é conhecido como “Cabeça do Cachorro”. O acesso complicado mantém os 23 povos indígenas da região de maior diversidade étnica do Brasil longe de quase tudo. Sem barco é ainda pior. É na base do favor que os enfermeiros do distrito sanitário indígena trabalham. Dezessete lanchas da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) estão empilhadas na cidade por falta de motor. A taxa de mortalidade infantil já era alta, mas deu um salto em 2009: 98 mortes por mil nascidos vivos é cinco vezes a média brasileira, de 20 por mil. Metade dos polos de saúde da região foi desativada. Hupdas O povo hupda é o mais isolado da região. Ao contrário dos outros índios, eles não gostam muito de viver nas margens do rios, geralmente preferem o interior da mata, onde a subsistência é sempre mais difícil. Entre eles que foram detectados os casos mais graves de desidratação. Sem remédios, um agente de saúde trata as crianças com ervas e benzeduras. “Também aqui a gente tem uma desnutrição crônica de base e uma alteração de proteínas, e você acaba tendo uma distensão abdominal também. Então é uma combinação de dois maus fatores”, Explica a médica Maria Carolina Batista dos Santos, especialista em medicina tropical, que já trabalhou na região mais miserável da África e encontrou aqui as mesmíssimas condições de saúde. “Morre-se muito de diarreia e suas complicações", diz a médica. "São as mesmas causas que você encontra num campo de refugiados, de deslocados internos de qualquer outro lugar. Eles são bastante semelhantes ao que a gente vê em alguns grupos da Somália ou do Sudão.” A Funasa diz que vai abrir uma auditoria para saber por que o dinheiro liberado este ano (mais de R$ 5,6 milhões) não melhorou o serviço e alega ter tentado contratar mais médicos, só que ninguém quer ir para o município. Diz ainda que a falta de motores para os barcos dificulta o atendimento e que recomendou estudo técnico para a compra de novos motores. O Ministério do Desenvolvimento Social diz que as prefeituras em regiões isoladas não conseguem cadastrar todos os índios no programa Bolsa Família por causa da dificuldade de acesso, mas que já fez um convênio com o Exército e a Funai para melhorar a situação. O Ministério de Minas e Energia disse que as populações da região serão beneficiadas pelo programa Luz para Todos até o final do ano.

******************************************************************************************************************************
..................................................................................................................................................

 

Índios e Amazônia: ecologia ou liberdade?

Mas, se a liberdade é o valor supremo do ser humano, os índios também podem fugir dos clichês, incluindo os ecológicos.

POR Redação Super
Vincenzo Lauriola
Os índios brasileiros ainda lutam pelo reconhecimento pleno de seus direitos, contra nossos preconceitos, porque muita gente acha que eles devem corresponder aos nossos modelos, como, por exemplo, ser ecologicamente corretos. Em outras palavras, para serem aceitos em suas diferenças, seriam menos livres. Mas, se a liberdade é o valor supremo do ser humano, os índios também podem fugir dos clichês, incluindo os ecológicos.
Será que os índios são ecologicamente corretos por natureza? O mito do bom selvagem, que ainda povoa nosso imaginário, reforçado na mídia por imagens de ianomâmis seminus na selva, corresponde à realidade? Ou não? E se os índios da Amazônia fugirem de nossos mitos etnocêntricos e virarem criadores de gado, madeireiros ou garimpeiros? Eles ainda seriam índios? Definitivamente, sim.
Não se pode negar que as terras indígenas na Amazônia são áreas ambientalmente bem preservadas. Equivalentes a mais de 20% da Amazônia Legal brasileira, elas contêm 50% da floresta em pé. As unidades de conservação, destinadas não às populações nativas, mas à conservação de ecossistemas naturais, ocupam apenas 9% da região. O futuro das terras indígenas é crucial para a conservação da Amazônia. Imagens de satélite dos dois tipos de área mostram que, até hoje, ambos tiveram eficácia semelhante contra a degradação ambiental mais comum: desmatamento e fogo. Mas quais as garantias de que isso perdurará?
Em primeiro lugar, há várias pressões sobre as terras indígenas. E as barreiras físicas, jurídicas e políticas à exploração imediata e predatória dessas áreas estão se tornando frágeis. Há pressões externas, para a exploração de madeira, minérios ou potencial hidrelétrico, mas também internas: pressões demográficas e econômicas de alguns grupos indígenas, que também querem explorar livremente suas terras. Sim, porque os índios não são inerentemente conservacionistas. Como nós, eles reagem aos mesmos estímulos econômicos de curto prazo que degradam o ambiente. Além do que, a vida de muitas comunidades indígenas já é bem diferente do que imagina o senso comum: os índios têm profissões remuneradas, andam de roupa, de avião e participam de atividades econômicas nem sempre ecologicamente corretas.
Suas diferenças em relação aos não-índios se manifestam menos em traços materiais ou folclóricos e mais na reprodução e resgate de processos socioculturais – línguas, crenças e demais conhecimentos tradicionais indígenas – e políticos – como o movimento indígena. Mas esse índio, que não se encaixa em nossos clichês, continua sentindo-se índio. E tem direito a sê-lo.
Qual o seu futuro, então? Bem, as políticas de etnodesenvolvimento têm dois caminhos possíveis. O primeiro, compatível com o uso sustentável das terras indígenas, consiste na valorização dos serviços ambientais e na criação de mecanismos de “renda verde” para remunerar a conservação realizada pelos índíos, o que os fará perceber que seu papel conservacionista tem valor. A floresta amazônica, afinal, é fundamental na manutenção de ciclos globais. Dela dependem, por exemplo, as chuvas e a produção agrícola no Sul do Brasil e até o clima mundial. São serviços ambientais valiosos, não remunerados pelo mercado. Esses serviços, que dependem muito de que os índios mantenham sua floresta, podem ser valorizados. É um caminho difícil, mas tem a vantagem da reversibilidade. A qualquer tempo pode-se adotar a segunda opção: a exploração direta dos recursos naturais.
Economicamente viável de imediato, essa segunda opção não é ecologicamente sustentável, porque dificilmente reversível: mesmo quando possível, a recuperação dos serviços ecológicos tem custos elevados.
É claro que as políticas indigenistas têm um evidente potencial ambiental. Mas esse seu aspecto não pode ser tomado como o mais importante, sob o risco de “ecologizar” questões de direito. É fundamental preservar o direito à liberdade de escolha dos índios. Ou seja, as escolhas sustentáveis devem ser livres e revogáveis, e os povos indígenas têm o direito de definir suas normas de sustentabilidade. Em outras palavras, eles não podem abrir mão do direito a serem, também, ecologicamente incorretos. Nem por isso são menos índios, ou deixam de ter o direito a viver suas identidades e diferenças. O risco de que eles sejam diferentes do que nós esperamos é não só inevitável, mas necessário e irrenunciável, se o valor supremo é humano, e não apenas ecológico. Esse valor não é negociável, não pode ser objeto de troca. Nem ecológica.
* Economista italiano, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa)        http://super.abril.com.br/ciencia/indios-e-amazonia-ecologia-ou-liberdade
















Arara Azul